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Oficina de IA e ChatGPT para professores do EJA em Escola Municipal no RS

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Recentemente, em uma ação realizada em parceria com o SEBRAE RS Pelotas, a Conecta - Tecnologia para Seniores teve a oportunidade de conduzir uma oficina sobre inteligência artificial e ChatGPT para cerca de 30 professores da EJA de uma escola municipal de Pelotas (EMEF Nossa Senhora de Lourdes ). A maior parte dos professores presentes eram 50+.


Antes mesmo de começarmos a parte prática, alguns dos professores comentaram sobre 3 principais preocupações deles:


A primeira era a falta de tempo, recursos e até motivação para aprender mais uma ferramenta tecnológica em meio a uma rotina já bastante exigente.


A segunda era a dificuldade de encontrar alguém que ensinasse esse assunto pois as secretarias de educação não costumam enviar treinamentos de letramento digital personalizado para educadores;


E a terceira talvez tenha sido a mais interessante: o receio de que a inteligência artificial pudesse incentivar uma espécie de "terceirização da educação", substituindo o pensamento crítico ou entregando tudo pronto para os alunos.


Ao longo da oficina, percebemos que boa parte dessas preocupações diminuía quando o ChatGPT deixava de ser apresentado como uma ameaça e passava a ser entendido como mais uma ferramenta digital. Da mesma forma que, anos atrás, professores aprenderam a utilizar mecanismos de busca, vídeos educativos ou a própria Wikipédia, a IA também pode ser usada de forma ética e responsável para economizar tempo e energia em tarefas repetitivas, sem abrir mão da autonomia e da capacidade crítica do educador.


Infelizmente, tenho a impressão de que a velocidade com que essas tecnologias chegam às escolas é muito maior do que a velocidade com que os profissionais recebem apoio para aprender a utilizá-las.


Muitas vezes espera-se que o professor descubra sozinho como uma nova ferramenta funciona, quais são seus riscos, seus limites e suas possibilidades.

E isso acontece justamente com uma categoria que já convive com excesso de demandas e pouco tempo disponível para formação continuada.


Ao final da oficina, a sensação que ficou foi de que a maior barreira não era a tecnologia. Era a falta de oportunidade para aprender sobre ela de forma acessível.


Depois que entendem a lógica básica de funcionamento, muitos professores rapidamente começam a enxergar aplicações práticas que podem facilitar seu trabalho sem substituir aquilo que a educação tem de mais importante: a experiência, a sensibilidade e a relação humana construída em sala de aula.


Eu vejo que um (dos vários) grandes desafios dos próximos anos seja justamente esse. Não apenas levar inteligência artificial para a educação, mas garantir que os educadores tenham condições de compreender, questionar e utilizar essas ferramentas de maneira consciente.

 
 
 

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